Poucos dias atrás vi na televisão um maquiador famoso explicando como se deve escolher a cor ideal do corretivo. Segundo ele, o corretivo deve ser um tom mais claro que a cor da pele, considerando que a cor da base deve ser a cor exata da pele (desde que o pescoço não seja muito mais escuro que o rosto). Me parece que esta indicação é sempre feita no intuito de corrigir e de iluminar a pele da pálpébra inferior, as olheiras.
Concordo que um maquiador profissional pode lançar mão deste artifício muitas vezes, pois ele domina as técnicas de maquiagem, de correção e os efeitos de luz e sombra. Contudo, discordo que esta seja uma boa dica para a mulher que se auto-maquia no dia-a-dia. Sem domínio das técnicas corretas, a chance de errar é muito grande.
Em primeiro lugar, o que é exatamente "um tom mais claro" (ou mais escuro) que a pele? Esta noção é muito subjetiva, o que aumenta a chance de uma mulher que não é profissional da maquiagem escorregar na correção das olheiras. A sua interpretação de um tom mais claro pode ser a de três tons mais claro para outra pessoa.
Também acho que esta dica do "tom um pouco mais claro" ou do "um tom mais claro" na prática não funciona para todas as mulheres. Na minha experiência profissional, muito menor que a do tal maquiador, já percebi que funciona bem para mulheres que têm pouca olheira ou nenhuma (como iluminador), mas não para as que têm olheiras moderadas ou intensas. Nestes casos, o efeito pode ser contrário ao que se deseja.
Já me questionaram aqui no blog porque uso base da M.A.C NW20 e corretivo NW25. O corretivo não tem que ficar natural? "Por que você usa corretivo mais escuro que sua base/pele?". A melhor forma de explicar isso é mostrando o resultado do uso do produto em diferentes tons.
Abaixo, (1) olhos ao natural com olheiras amarronzadas, (2) olheiras corrigidas com corretivo no tom da minha pele/base, (3) olheiras corrigidas com corretivo "um tom mais claro" que a minha pele/base e (4) olheiras corrigidas com corretivo de tom um pouco mais escuro que a minha pele/base:
Na foto 1 temos o panda clássico!
Notem que na foto 2, em que usei corretivo do tom exato da pele/base, as olheiras foram amenizadas, mas não satisfatoriamente, e o efeito iluminador não aconteceu de um jeito bom. As olheiras ficaram num tom um pouco cinza.
Na foto 3, o corretivo um pouco mais claro deixou a pele sob os olhos totalmente cinza e doente, ressaltando as olheiras e criando o famigerado panda invertido. Simplesmente horrível.
Na foto 4, o corretivo um pouco mais escuro (NW25) amenizou bem mais as olheiras e ficou super natural, unificando o tom da pálpebra inferior com o do restante do rosto. Importante salientar que o corretivo, assim aplicado, corrige a pigmentação (compare a foto 4 com a foto1), mas não as depressões (linha) e as bolsas.
Sempre que vou maquiar alguém que tenha olheiras mais fortes, ou mesmo ensinar a escolher a cor correta de corretivo no curso de auto-maquiagem, faço esse teste, colocando corretivo mais claro, no tom e num tom um pouco mais escuro. Geralmente é o último que vence a competição!!! E percebo esta mesma lógica acontecendo com a pele já preparada com base.
Então, como escolher a cor certa, principalmente para quem precisa muito de corretivo? A melhor maneira é testar o corretivo no local onde será aplicado, ou seja, neste caso nas olheiras. Aplique num olho direto sobre a pele e no outro sobre a pele já com base e observe se a cor está natural e se há alguma mudança drástica nestas duas condições (provavelmente não). Se o corretivo se destacar ou destacar as olheiras, procure outro tom.
Maquiagem não é ciência exata, então não existe essa de dica que serve para todo mundo sempre. Existem dicas gerais, que se aplicam à maioria, e dicas específicas, que se aplicam a pessoas com determinadas características. Mais do que tudo, existe a importância de testar os produtos, sobretudo os de pele, antes de comprar de usar por aí. Não adianta simplesmente comprar corretivo da mesma linha e numeração da base, para depois levar um susto quando vir fotos tiradas com flash, por exemplo.
Cada pessoa apresenta na pele e nos traços do rosto combinações particulares de características que devem ser analisadas cuidadosamente para uma maquiagem sucesso. Sem falar que cada profissional tem sua forma de trabalhar e existem maneiras diferentes de se pensar cada questão. Para a mulher que não trabalha com maquiagem, é melhor seguir o caminho da simplicidade, que, ao contrário do que possa parecer, não se trata de seguir fórmulas prontas, mas de testar produtos e soluções e de se auto-conhecer. É um simples que dá trabalho no início, mas que quando descoberto facilita demais a vida e evita micos como o do "panda invertido".
Muitas vezes meninas me escrevem e-mails dizendo que têm a pele da cor da pela de fulana da tv e perguntando que base da M.A.C eu indicaria para elas comprarem pela internet. Eu me pergunto: como ela sabe que a pele dela é da cor da pele da fulana, ela conhece fulana? Num país de algo grau de miscigenação há uma infinita gradação de tons e de subtons de pele e a imagem de uma tv ou de uma foto varia demais (conforme luz, regulação do monitor e impressão) para que se possa usá-la como referência real. Respondo que não tenho como dizer e explico tudo isso e algumas ficam tão decepcionadas que nem respondem, nem para agradecer o tempo dispensado. Espero que agora elas entendam o porquê da minha resposta e que saiam do comodismo da resposta pronta, que normalmente vem com uma decepção posterior, para pesquisarem os produtos corretos.
Espero também que este post tenha ajudado a muitas de vocês! Contem para mim suas experiências com corretivo nos comentários, o que dá certo e o que não deu!!! BJK


























