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A VIAGEM DE MIM MESMA (por Renata, do Conversa de Beleza)




Poucas, senão algumas de nossas colegas do mundo maquiagístico, conseguem compreender a força e a complexidade que resiste em pequenos atos como o pincelar de cores na face. Quem é que entende o poder que estes pincéis e produtos nos dão? O poder de, em minutos, mudar de aparência, mudar de veste, de máscara, de imagem. E poder, com a mesma rapidez, voltar ao início de tudo?

Quem consegue ir além da aparente vaidade que reside em colorir e corrigir a face – e compreender que esta “vaidade” exige e possibilita um (re)conhecimento ímpar das próprias feições?  Um olhar apurado que viaja pela linha dos olhos, dobra na curva dos lábios, percorre o relevo da face, a proeminência dos malares?

Quantas mulheres perscrutam e decifram, diariamente, seu próprio rosto? Quantas pessoas que se aventuram na jornada bruta e desafiadora de buscar, acima de tudo, a harmonia e a perfeição? Quem adivinha que, ali no meio da estrada, ali no fracasso da labuta é que nós, aventureiras, percebemos outros caminhos - caminhos que se oferecem no que parece ser o deserto de nós mesmas? Quem é que compreende que, por trás da maquiagem e da busca frenética, existe um reencontro, um reconhecimento e, enfim, a paz?

É assim que acontece comigo, deve ser assim que acontece também com vocês. Aconteceu há alguns anos, ontem, acontece hoje e certamente amanhã também. E será ainda mais freqüente com o passar dos anos, conforme meu rosto vai perdendo sua firmeza e seus contornos, conforme o tempo avança e desenha linhas, escreve impiedosa, mas lindamente!, minha própria história em meu rosto. É assim que se dá principalmente quando eu busco corrigir meus “defeitos”. É assim que se dá quando eu falho, ou quando eu percebo que, por trás da destreza dos pincéis, meus defeitos resistem. E é então que nós – eu, minha obsessão e meu fracasso – fazemos as pazes, em perfeita comunhão. É então que, cônscia das peculiaridades que se somam, resulto eu, única, falha, mulher, humana. E plena.

Mesmo tendo vivido longos anos mascarando de preto minhas pestanas douradas, quem sou eu, ao fim do dia e depois do banho, senão uma mulher de cabelos de fogo, olhos amarelos e pestanas – sim – douradas? Ah!, foi preciso mais que o espelho, foi necessário não a multitude das vozes diversas, vozes repetidas que eu nunca ouvi. Mas, inesperadamente, uma dessas vozes fala ao coração, já repararam? Que há sim uma que voz fala direto no nosso coração – e ela é tão clara e tão nítida, ela é tão poderosa que é impossível que se faça calar, é impossível que se ignore. Quando aquela voz falou, eu finalmente fiz as pazes com minhas pobres pestanas - nós finalmente entramos em comunhão.

E, pasmem! Foi a partir daquele momento que eu encontrei as melhores máscaras, as melhores soluções para meus cílios louros e curtos. Foi quando eu pude prescindir da máscara, foi quando eu pude me libertar da escravidão que eu bestamente me impus. Sim, foi ali que comecei a gostar mais das máscaras, foi ali que eu mais valorizei o poder do rímel. Simplesmente por poder prescindir dele.  Ou, talvez não tão simplesmente assim, eu passei a me amar mais, eu conquistei a sabedoria de conseguir me perdoar por não ser perfeita. E quem decidiu, afinal de contas, que ser perfeito é ter cílios longos e escuros?

Quando, no meio da cruzada em busca da tal da perfeição, fazemos essa dobra, uma curva abrupta, em descida tal que nos rouba o fôlego – é nesse ponto que a cruzada finalmente faz sentido. É quando os “defeitos” se desabrocham em peculiaridades. É quando nós percebemos que não há defeitos, há um conjunto de fatores que é nada além de nós mesmas.

Sou eu, meu rosto, meus traços e minhas singularidades. Que eu posso, sim, corrigir, colorir e aprimorar. Eu posso travestir, disfarçar, fantasiar. Com a certeza de saber que um pequeno gesto e um bom demaquilante desmancha tudo e me devolve à mim mesma, eu e minhas pestanas quase transparentes.

E quanto mais “EU” eu me sinto, mais me aprecio. E mais eu quero explorar o mundo da maquiagem, mais quero brincar com meu rosto e minha imagem. Quanto mais eu me amo e me perdôo, mais amo também todas as possibilidades que a maquiagem me oferece – sendo que a mais doce delas é de ser eu mesma, toda ataviada em cores.

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De vez em quando gosto de chamar alguma pessoa que eu admiro para contribuir aqui no blog, diversificar, apresentar novas opiniões e compartilhar com vocês meu afeto por ela. Já escreveram aqui muitas amigas queridas e hoje é a vez da Renata, dona do blog Conversa de Beleza.

Não sei como, tempos atrás, caí no blog dela e me apaixonei. Renata não é blogueira, no sentido profissional. Ela tem a profissão dela e faz o blog por amor. É uma mulher linda, supreendente, correta e uma das mais inteligentes que conheço. Cada post dela é uma obra de arte, criada com todo o cuidado e atenção, repleto de informações extremamente úteis, que vem da sua paixão por maquiagem e de sua experiência profissional. 

Cada post novo que ela põe no ar tem tanta informação que não tem jeito, eu devoro! Sem falar no fato de que ela é uma pessoa do bem, sensata e extremamente consciente, em todos os sentidos. Minha admiração por ela é enorme e cada vez maior. Quem a conhece, entende perfeitamente o que estou falando. Quem ainda não a conhece, está na hora de entrar no Conversa de Beleza e se deliciar!

Quando a chamei para participar aqui, disse que ela poderia fazer o quisesse, porque tinha certeza de que sairia uma coisa muito bacana! Ela escreveu este texto lindo, poético, mas realista, da sua própria maneira de pensar a maquiagem e a si mesma. Com certeza, o texto reflete o que penso sobre a maquiagem, suas funções, seus limites. Espero que vocês tenham amado tanto quanto eu!

Re, agradeço muito a sua participação e a sua presença na minha vida. Você é uma mulher fantástica, primorosa, especial! bj,
Karen